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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A Festa dos Beijoqueiros













De tudo quanto é festa
Eu já ouvi falar
Festa de Cabide, Festa no Céu
Festa de Carecas, Festa de Arrombar

Na Festa de Cabide
Todos dançam agarradinhos
Trocando juras de amor
Entre apaixonados beijinhos

Na Festa no Céu
Até o Sapo fez jus
Tinha uns tipos bem maneiros
E uns caras legais com Jesus

Na Festa dos Carecas
Só carecas podem entrar
Nego raspa até a cabeça
Pra na Festa badalar

Na Festa de Arromba
Ninguém fica no abandono
Bebida, fumo e tudo mais
E o de bebo não tem dono

Mas outro dia cheguei às portas de nova Festa
Parecia que era bem divertido lá
É a chamada Festa do Beijoqueiro
Onde só entra lá quem beijar

Eu tava doido pra nessa Festa curtir
Aí trouxeram quem era pra eu ter beijado
Mas eu recusei beijar naquele troço feio
E na Festa do Beijoqueiro fui barrado

Mas daí que me veio a ideia
De assim então inventar
A minha própria festa
A festa de como quiser chegar

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Minha Jangada Voltou do Mar Com O Peixe Bom Junto Com Peixes Castanhas



















Minha jangada saiu ao mar
Meu benquerer a trabalhar
E após dias e noites, do Mar de Sanhas
Trouxe o Peixe Bom entre Peixes Castanhas

Mas antes d’o Peixe Bom ofertar
Pensei dele um tanto faturar
Um Peixe Castanha logo me censurou
Por o Peixe Bom a todos ali expor

Outro Peixe Castanha veio me abraçar
Por bem no amor ali lhe evidenciar
Outros Peixes Castanhas ficaram sem saber
Desconfiados, receosos, agitados pra valer

Outros Castanhas ficaram bravos horrores
Nos seus dissabores, fizeram-se ameaçadores
Por serem expostos em suas castanhices
Temerosos de maliciosos disse-me-disses

Um Peixe Castanha agressivo, furioso
A bradar me chamou de ganancioso
Por o Peixe Bom botar ali pra vender
Junto com Peixes Castanhas como quê

É que quando vi o troco que podia ganhar
De poder botar uns planos pra decolar
Até esqueci do meu voto de pobreza
E botei pra vender com certeza

Alguns Peixes Castanhas entrementes
Não se afinam lá tão perfeitamente
Com o Peixe Bom e ficam desconfortados
De ali junto ao Peixe Bom serem mostrados

Aí resolvi logo o Peixe Bom ofertar então
Junto com os Peixes Castanhas de montão
Trazidos quando minha jangada voltou do mar
Do meu benquerer a trabalhar



segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A Bronca da Nega



















Seu Luka Debóc, véi,  vou lhe dizer
A nega tá virada na zorra com você
Desde aquele seu achincalhe ela se ressente
Que você a expõe ao ridículo publicamente

Disse que logo que você a ultrajou
Que logo na sua cara não retrucou
Porque uma gente deu de lhe segurar
Mas que você não perde por esperar

Que  171, sem sentimento é o que é você
Pau mandado de um escroto pra lhe ofender
Que você é um vendido, um mercenário infeliz
Sem princípios, que não sabe nada do que diz

Disse que quando lhe pegar de jeito
Vai fazer você se enxergar direito
E que não vai lhe dar refresco
Que você é mesmo muito do fresco

Que dessa sacanagem cê vai se arrepender
E que vai botar pra éfi em cima de você
Que cê vai pagar por sua grosseira baixaria
A nega jurou ‘por essa luz que alumia’

Disse que se meter na vida alheia é desrespeitoso
Que você é um tremendo d’um preconceituoso
Disse ainda que muito enxerido é o que você é
E daí que ela gosta mesmo é de mulher

Disse que tá de saco cheio de você
Que sua batata tá no fogo, que você vai ver
Que quem apoia e curte sua ação terrorista
É sua galerinha de baba-ovos, racistas 

Disse que você com sua mangação
Quase conseguiu botar ela em depressão
Mas que o astral dela você não vai baixar
Que ninguém lhe tira a alegria que Deus dá

A nega, rapaz, tá mesmo é retada com você
E assim me fez saber pra lhe dizer
que eu acho bom você ficar preparado
Pra quando ela vier toda fula pro seu lado

Que pra mim até que cê não parece mal
Deve ter lá suas razões para agir como tal
Mas sua onda com a nega é mesmo invocada
Por isso a reação dela assim tão revoltada

A nega, camarada, tá danada como quê
Dia que vai rodar a baiana pra cima de você
Ela tá mesmo invocada com a sua cara
E quando fala, fala , fala que não para

E aqui pra nós, seu Luka Debóc
Cê pega pesado com a nega que só
E você sabe que quem diz o que quer
Acaba mesmo ouvindo o que não quer

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Portal da Ventura










Até pensei em do prédio me jogar
qual forçosa solução a se acenar
para resolver-me de infernal tormenta
mas seguiria pela intempérie nevoenta

Até quis do prédio pela janela me jogar
após o quê, talvez me fosse posicionar
num ponto de afligir alguma incauta criatura
apaixonada, obcecada no desejo, na fissura

Até ia mesmo do prédio me jogar
mas seguiria na reta do meu intentar
apesar dos cruéis ardis da malevolência
me completaria de saber nesta sequência
fazendo o certo ante suas tretas tão duras
até bem passar pelo portal da ventura

Do prédio eu quase que fui me jogar
qual fosse a problemática solucionar
a resolver-me d’uma factual loucura
mas seguiria a estrada da aventura


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Nova Manhã


















Desde meu intempestivo e fundo revés

Quando me fez em vida obscura a seguir

Envolto dia a dia numa redoma sombria

Quase sem esperança de luminoso porvir



Mas hoje nova manhã veio me despertar

Tão mágica e candidamente iluminada

Fazendo-me a realidade numa configuração

De firme e suave luz, algo espiritualizada



Manhã d’um Sol brilhante em luz imaterial

Inspirando  puras emoções no sentimento

D’uma paz a mais serena e imponente poesia

A Fazer sobre o mundo elevado o pensamento



Transportou minha mente de conturbada zona

Transformou meu ser desde sombras tenebrosas

Encheu toda minha alma dessa luz tão perene

Mudou minha vida, fazendo-a assim graciosa


 Nova manhã de tão providente magia
Numa dimensão oculta de si a se mostrar

Numa vibração de cores como num sonho

Uma claridade matinal de a alma elevar



A natureza em cores mais vivas se afigurava

E sob o animoso Sol, mais que refulgente

Tão benévola,  convidativa, acolhedora

Meu espírito voou em sua beleza assente



Foi uma manhã reveladora, áurea, mística

Veio a vida reafirmar-se em espectro divinal

E encheu de novo meu peito da velha vontade

Com a antiga empolgação  pelo tão caro ideal



Manhã de claridade e energia de se maravilhar

De restaurar aquele costumeiro gosto de viver

De fazer tão leve o sonho como balão no ar

Evolução do desejo que se foi por onde fazer



Nova manhã,  portal de novas manhãs

Pelo futuro desde seu presente instaurada

Desde um passado de confusos transtornos

Nova manhã de luz do amor carregada